Um dia passeando em Paquetá: conhecemos a ilha de “A Moreninha”


Em 1843, Joaquim Manuel de Macedo escreveu o livro que seria considerado o primeiro romance brasileiro e sua obra-prima: A Moreninha. Apesar de não haver no texto uma referência explícita à ilha de Paquetá, fica bem evidente que o autor se inspirou no bairro carioca para conceber a paixão de Augusto por Carolina, a Moreninha. A história gira sobre um amor de infância que, por força do destino, acaba sendo revivido no futuro: Augusto e Carolina se conhecem na praia e, anos depois, num fim de semana numa ilha, o reencontro acontece.

No topo da Pedra da Moreninha tem essa vista da Praia e do Rio de Janeiro: nada mal, não?

A descrição dos ambientes é compatível com a geografia da ilha no período em que o livro foi lançado – uma ilha próxima à cidade, antiga capital do Império. Há também registros de que o autor hospedou-se na ilha por algum período, o que só reafirma os indícios de que Paquetá é sim a terra da Moreninha.

O clássico da literatura nacional teve três adaptações para a TV e uma para o cinema.

A Moreninha na TV

A primeira foi em 1956, uma adaptação do romance para a TV Tupi. Yoná Magalhães foi a primeira atriz a interpretar a Moreninha, tendo Paulo Porto como seu par romântico. Pouco se encontra na internet sobre esta versão – nem mesmo uma foto da atriz caracterizada como a personagem! – provavelmente por conta do tempo. O acervo da extinta emissora está divido entre Rio e São Paulo, além de ter pouca coisa digitalizada e divulgada. Uma pena.

Já em 1965 foi a vez de Marília Pêra dar vida à personagem, sendo Cláudio Marzo o seu par romântico. A produção da TV Globo foi uma das primeiras novelas da emissora a ter cenas gravadas em externas – exatamente lá na Ilha de Paquetá. Focado no romance, ainda houve espaço para uma trama paralela onde os jovens amigos de Augusto e Carolina se empenham em campanhas abolicionistas. Lembrada pelo primor da produção, dez anos depois ganhou uma nova versão – dessa vez, colorida.

A terceira adaptação aconteceu em 1975, com Nívea Maria como a protagonista. Uma trama paralela sobre o fim da escravidão deu um tempero a mais na história. A casa da Moreninha tinha toda a parte externa gravada na ilha, apesar das cenas internas serem de estúdio. Hoje a construção é um ponto turístico imperdível do bairro, porém não é aberto a visitação: por ser propriedade particular, pode-se apenas admirar a fachada – mas a placa no muro indicando que aquela é a “Casa da Moreninha” indica que os donos reconhecem a importância do lugar para o bairro.

A Moreninha no cinema


A maior curiosidade, no entanto, fica para a versão para o cinema. A Moreninha é um filme musical (!) de 1970 e tem Sonia Braga estreando na carreira e no papel principal, com David Cardoso interpretando Augusto. O diretor Gláucio Mirko Laurelli imprimiu um estilo bastante parecido com o da época de ouro dos musicais de Hollywood (lembrou-me muito a produção de Sete Noivas Para Sete Irmãos, um musical clássico do gênero). Muitas cenas foram gravadas em estúdio e outras ainda em Paraty, no sul do Estado do Rio de Janeiro, mas a emblemática Pedra da Moreninha não podia deixar de ser gravada em outro local.

*Ficou curioso? Saiba que não é difícil achar a versão completa do filme na internet. É só procurar pelas palavras-chave que se encontra rapidinho. Divirtam-se!

Além da casa, a Praia da Moreninha (que fica o lado da Praia Dr. Aristão, mas todos acham que é uma praia só) ficou assim conhecida e chamada por ter sido escolhida como locação para as gravações, mas tanto a Praia quanto a Pedra são partes importantes do romance: é onde Augusto e Carolina se apaixonam quando crianças e onde se reencontram, anos mais tarde.

A “Casa da Moreninha” fica na Praia da Guarda – dá para ver já das barcas

A visitação dos locais relacionados com o romance são bem fáceis de chegar: logo na saída das barcas (único jeito de se chegar à região), basta olhar para a esquerda e ver uma singular casa rosa e branca, que parece de boneca. Ali foram gravadas a versão das novelas da Rede Globo, tanto de 1965 quanto a de 1975. Para seguir até a Praia e Pedra da Moreninha, basta seguir as placas indicativas – estas ficam do lado norte da ilha (o que significa que, ao sair da barca, é preciso seguir à sua direita para chegar lá).

Agora que você já sabe tudo sobre as Moreninhas, saiba que tem muito mais para se descobrir na Ilha de Paquetá.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.