Uma visita a Berlim Oriental com “Adeus, Lênin!”


Filme sensível e divertido, “Adeus, Lênin!” (2003) ainda tem o mérito de de mostrar uma Berlim que os turistas pouco conhecem. Por isso, o longa de Wolfgang Becker tinha que entrar no meu itinerário pela cidade – era uma desculpa para ir um pouco além dos roteiros tradicionais indicados pelos guias.

Se você já é familiarizado com a história, deve lembrar que Alex (Daniel Brühl) precisou ser bastante criativo quando a mãe, Christiane (Kathrin Sass), sofre um enfarto e acorda depois de um ano em coma. Ativa politicamente, ela nem desconfia que o Muro de Berlim foi derrubado e que a Alemanha Oriental, onde vivem, adotou o sistema capitalista. O jovem faz tudo para evitar que ela tenha um choque fatal ao descobrir a verdade e resolve, com a ajuda da família e dos amigos, deixá-la dentro de uma “bolha” socialista, como antigamente.

Quase trinta anos depois, muita coisa mudou no lado oriental da cidade, obviamente. Mas caminhar pela imponente avenida Karl-Marx-Alle e observar as construções padronizadas dá um pouco a sensação de se estar entrando em um outro território.

Esquina da Berolinastrasse com Karl-Marx-Alle

O apartamento de Alex não fica muito distante da movimentada Alexanderplatz, que aparece de relance algumas vezes no filme, e da onipresente Torre de TV. O endereço exato é na Berolinastraße 21, perto da estação de metrô Schillingstraße. Como eu não estava com o número anotado, acabei andando a esmo pela rua e não achei a fachada (muitos prédios iguais!), mas revendo o filme e com uma ajudinha do Google Maps, é fácil localizar o prédio.

Nas redondezas, seguindo a Karl-Marx-Alle sempre para o leste, damos de cara com dois lugares importantes que também são mencionados no filme (aparecem nos créditos iniciais): o Kino International e o Café Moskau.

Mais adiante, a Strausberger Platz dá as caras quando Alex vai buscar um camarada da mãe para continuar a farsa.

Strausberger Platz, em Berlim

É nessa mesma praça que acontece uma das sequências mais emblemáticas do filme, quando Christiane dá de cara com a gigante estátua de Lênin sendo carregada por um helicóptero por toda a Karl-Marx-Alle até desaparecer de vista, próximo à Torre de TV.

O cenário mais famoso que é retratado no longa é a East Side Gallery, ponto turítico em praticamente 100% dos roteiros de visita à cidade. Trata-se do que restou do Muro de Berlim, que hoje adquiriu um novo significado, com obras de diversos artistas – muitas falando de liberdade, um conceito um tanto desvalorizado enquanto a divisão entre as duas metades da cidade estava de pé e muitas pessoas acabaram sendo mortas.

East Side Gallery

Para quem se interessa por história, vale muito a pena complementar as andanças por essa região da cidade com uma visita ao DDR Museum, que retrata a vida na Alemanha Oriental. É uma coleção grande de objetos e um recorte da rotina e dos costumes no lado socialista, que tem inclusive a recriação de um apartamento típico, bem no estilo que a gente vê no filme.

Já visitou esses lugares? Conta para a gente o que mais gostou de conhecer na capital alemã (e tem muito mais aqui no blog sobre a cidade)!

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About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas