Vale a pena visitar o Rio de Janeiro?


Se você prestou atenção no noticiário nacional nos últimos dias, percebeu que aqui na cidade do Rio de Janeiro as coisas não estão fáceis. Então eu me pergunto qual a impressão que um turista, que nunca veio conhecer a cidade antes, teria daqui. E ainda vou além, me questionando se eu fosse a turista que nunca esteve aqui, se eu teria coragem de vir.

Vista de um entardecer na mureta da Urca

A resposta veio fácil. Sim, eu viria. O Rio de Janeiro é uma cidade grande e tem problemas como qualquer outra metrópole do mundo. Até o presente momento visitei apenas dois destinos internacionais e por período curto de tempo, o que não me torna uma expert em segurança pública internacional, mas me lembro bem dos avisos em inglês espalhados pelos principais pontos atrativos: “be aware of the pick pockets”, ou qualquer coisa parecida. Em bom carioquês, “cuidado com trombadinhas”. Não sei como eles são chamados na sua região, mas é fato que sua cidade também deve sofrer com furtos a pedestres e outros tipos de violência.

Essa viagem, aliás, foi um lembrete permanente de que precisamos estar atentos mesmo quando não parece que precisamos. Não quer dizer ficar paranoico a ponto de não curtir a viagem, muito pelo contrário – é só manter cuidados básicos, como saber onde está sua carteira para não ficar sem dinheiro para comer ou pagar o táxi par ao aeroporto. Para nós, cariocas, que vivemos preocupados com isso constantemente, sair dessa rotina tensa pode ser um alívio – mas a dor de cabeça por ser assaltado em outro país pode ser ainda maior. Portanto, não custa se manter atento.

Depois do sufoco, tivemos essa vista abençoada.

Em minha visita à Notre Dame, quase fui assaltada. Deslumbrada com a paisagem e ansiosa por fotografar tudo, levava ao pescoço minhas duas câmeras (a digital e a analógica), e estava acompanhada de duas senhoras. Foi por reflexo, coisa de quem já não consegue andar tão despreocupada pelas ruas da cidade onde mora; mas eu vi o homem que nos observava sobre a ponte vir em nossa direção. Imediatamente parei de fotografar e levei meu grupo até a área onde havia mais turistas e, consequentemente, mais segurança. Foram dois minutos de coração acelerado até chegar à praça em frente à igreja, porém consegui despistar do ladrão e nada nos aconteceu.

Daí vem a questão: porquê nos sentimos mais seguros fora de nossa própria cidade? Só porque não estou no Rio, no Brasil, estou automaticamente segura? Esse episódio me abriu os olhos. Não é a fama de uma cidade que a torna mais segura ou insegura, é o comportamento do próprio turista. Ladrão e área de risco existe em qualquer lugar do mundo. Se a gente for botar na ponta do lápis todos os prós e contras de cada cidade e país que queremos visitar, é bem capaz dos contras ganharem – seja por qual motivo for. Mas isso é impeditivo? Ou somos capazes de balancear esses empecilhos?

Um ponto turístico já mostrado aqui no blog: a Catedral Metropolitana é linda e visitas acontecem de dia – mas à noite, não recomendamos o passeio

Não é preciso desistir de um destino por conta da insegurança, apenas um ajuste no roteiro pode transformar seu sonho em realidade. Geralmente as áreas no entorno de grandes pontos turísticos é bem (ou melhor) policiada, o que nos permite relativa tranquilidade. Um estudo prévio de como se deslocar pela cidade com transporte público também pode evitar muitas enrascadas (horários de funcionamento, tarifas, onde pegar e saltar podem te trazer em segurança de volta para o hotel), principalmente se não quiser se ater aos locais mais badalados. Explorar a cidade é uma delícia, mas se os próprios locais evitam ou não recomendam, para quê arriscar?

Nós aqui do blog buscamos mostrar locais interessantes do Rio de Janeiro fora os já mundialmente conhecidos – mesmo sendo os mais famosos cartões postais da cidade e tendo aparecido inúmeras vezes em novelas e filmes, queremos contar para nossos leitores sobre locais fáceis de encontrar na cidade que tem tanta história e beleza quanto eles. Oferecemos dicas de passeios seguros e interessantes, e sempre que preciso reforçamos os cuidados que o turista deve ter ao decidir seguir nossos roteiros. Nós somos seres humanos e também temos receio de certos locais e situações; portanto, não nos arriscamos demais e nem incentivamos ninguém a fazê-lo, porém não desestimulamos quem quiser vir descobrir nossa cidade.

Santa Marta, Zona Sul e Pão de Açúcar: Rio, uma cidade de constrastes

Pessoalmente, eu já visitei uma comunidade (a Santa Marta, em Botafogo) e digo que é uma experiência realmente diferente – porém essa visita ocorreu há alguns anos, logo que a Unidade Pacificadora foi inaugurada e que o clima era mais propício para a visitação. Hoje, neste exato momento, eu não refaria esse tour; porém não descarto voltar lá. Muitas outras comunidades cariocas foram cenário ou inspiração para clipes e filmes (o longa Cidade de Deus, que concorreu a quatro Oscar em 2004, é um exemplo), mas enquanto não for seguro visitar esses locais, nós não iremos – nem recomendaremos a visita. Ainda bem que a cidade tem muito mais coisas para se descobrir, não é?

E é exatamente isso o que queremos explorar aqui. O Rio de Janeiro continua mesmo lindo, apesar dos pesares. É uma ex-capital federal, local onde a monarquia portuguesa escolheu residir quando veio habitar a colônia, uma rara combinação de praia, montanha e metrópole. Sofremos, mas sobrevivemos; e continuaremos descobrindo e indicando locais diferentes (e seguros) para quem quiser vir com a gente.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.