Viagem planejada ou sem destino: qual é o seu estilo?


Sempre tive uma certa inveja de quem coloca uma mochila nas costas, compra uma passagem só de ida e deixa a vida conduzir o resto. Cruzei com algumas pessoas assim nas minhas viagens, que iam pesquisando os bilhetes de ônibus mais baratos pelo caminho, que esticavam a estadia se gostassem muito de um lugar ou encerravam o expediente mais cedo se já dessem o local por visto. Essa liberdade sempre me fascinou e ainda sonho fazer uma viagem nesse estilo, mas, por ora, minha ansiedade simplesmente não permite.

Não é que eu seja uma pessoa metódica – posso ser bem caótica, para dizer a verdade – mas gosto de visualizar todos os passos desde o começo. Sou daquele tipo que adora fazer listas, sabe? Mesmo que seja para refazê-las por não ter cumprido nenhuma das metas… Pois minhas viagens também são um pouco assim.

Começo com uma ideia geral dos lugares que quero visitar, faço uma pesquisa preliminar sobre as atrações que gostaria de conhecer, quanto tempo é recomendado ficar em cada lugar, vou enlouquecendo ao descobrir várias paradas incríveis no caminho entre um e outro e vou montando o quebra-cabeças de acordo com o tempo e o dinheiro disponíveis. Até a viagem propriamente dita já tenho uma dezena de roteiros possíveis, que vou refinando, refinando… Nenhum deles, claro, é seguido à risca. Mas é essa base que me dá uma certa segurança.

Por meses, pesquiso preços de passagens, os lugares com o melhor custo-benefício para me hospedar, o transporte público mais eficiente da estação/rodoviária/aeroporto até a cidade. Fico mais tranquila ao saber que vou ter uma cama para dormir, por exemplo. E, mesmo com todo o planejamento do mundo, já perdi um ônibus noturno e tive que ir atrás de hostel de madrugada… Não pretendo repetir a experiência tão cedo!

Nessa fase inicial, também procuro saber se vale a pena comprar um passe turístico, que dias os museus fecham, em que horários as atrações são gratuitas e por aí vai. Já dei de cara na porta por não ter me planejado antes (e me arrependo até hoje), mas também já economizei por conta disso. Destrincho a cidade em regiões para montar os itinerários mais factíveis de serem feitos a pé – porque metrô é prático, mas te rouba os cantinhos escondidos e as experiências que você só descobre caminhando mesmo.

Falando assim, pode parecer que minha viagem fica engessada ou menos espontânea. Mas não sinto desse jeito. Na verdade, ela está sujeita a toda sorte de imprevistos e mudanças de humor quanto qualquer outra. Já deixei de visitar museus recomendadíssimos porque estava um dia lindo lá fora e eu quis passar mais umas horinhas ao ar livre. Por outro lado, já perdi vários passeios legais por conta do mau tempo. Já encontrei lojas e restaurantes fechados por conta de um feriado e presenciei uma procissão religiosa pelo mesmo motivo.

A diferença é que eu começo a viajar bem antes e me delicio com cada etapa do planejamento, já vou me sentindo um pouco no lugar que planejo visitar em breve. Confesso que sinto até falta quando já está tudo encaminhado! Para preencher o vazio, vou pesquisando sobre outros destinos que não faço ideia de quando vou conhecer…

Mas, assim que conseguir controlar a ansiedade, ainda faço uma viagem sem destino certo e volto aqui para contar como foi 😉

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About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas