Viajando na literatura: 5 lugares fictícios que eu gostaria de visitar


“São tempos difíceis para os sonhadores”, ainda mais para aqueles que sonham em rodar o mundo sem ter um tostão furado no bolso. Mas outro dia me peguei pensando: “e se eu tivesse todo o dinheiro do mundo? Eu ainda conheceria todos os lugares que quero visitar?”. A resposta é simples: não, por um pequeno detalhe – muitos deles não existem!

Como? Elementar, meu caro leitor! Esses locais existem apenas na literatura. Foram criados pela imaginação inspirada de um autor que pode ou não ter usado algum lugar (cidade, país, bairro) como referência – porém explorou ao máximo as nuances deles para inventar algum lugar único. Listo, então, cinco desses meus locais impossíveis de conhecer, embora algumas tenham representações ao redor do mundo.

  • Sítio do Pica-Pau Amarelo, criado por Monteiro Lobato

Já começo com uma das minhas referências mais antigas: considero as aventuras de Pedrinho, Narizinho, Emília e Visconde como minha primeira incursão no mundo da viagem literária. Ora, era muito fácil me identificar com eles quando se divertiam estando apenas juntos, ouvindo as histórias de Dona Benta ou as lendas que Tia Nastácia contava, e mergulhar de cabeça nas aventuras incríveis por outros mundos e épocas! E foram tantos os lugares mágicos que visitei na companhia deles: a geografia do mundo com dona Benta, a Espanha de Dom Quixote, o País da Gramática, o Reino-das-Águas-Claras, a Grécia de Hércules, as matas brasileiras… Tudo dentro de um sítio com um rinoceronte de estimação, uma espiga de milho da realeza, um burro falante e um Marquês de Rabicó.

  • Westeros, criado por George R. R, Martin

Ok, a vida aqui não seria fácil – nem se eu fosse parte da realeza. Aliás, provavelmente seria pior se eu tivesse alguma importância para o jogo dos tronos! Mas acho que um voo de dragão sobrevoando toda a geografia do lugar seria seguro, não? Hum… Talvez não. Mas é que o autor descreve tão magistralmente as personalidades de cada cidade, cada povoado, que fica impossível não querer arriscar seu pescoço para conhecê-los. “Ah, mas a série é gravada na Europa… Dá para visitar um monte desses lugares aí!”  Sim, eu sei. A Giselle já até foi lá conferir e contou pra gente como foi. Mas, ainda assim, é só uma representação, um cenário. Já me acostumei a ver Winterfell e Porto Real na telinha, mas todo o universo de Canção de Gelo e Fogo a gente só conhece lendo.

  • Instituto Xavier para Jovens Superdotados, criado por Stan Lee e Jack Kirby

E preciso explicar porquê? Imagine um lugar onde os mutantes mais legais do universo estejam juntos e – na maior parte do tempo – em harmonia. Um lugar onde jovens com poderes extraordinários enfrentam os mesmos dilemas que qualquer outro ser humano comum, mas que contam com a ajuda de outros mutantes ainda mais extraordinários para se superar e se tornarem pessoas melhores. Bater um papo com o Professor Xavier, ter aulas com o Fera e a Tempestade, sobreviver aos colegas descontrolados e à Sala de Perigo, reconstruir a escola de tempos em tempos (acontece, ué!), quase morrer em alguma primeira missão… É, acho que seria uma boa experiência. Ninguém disse que ia ser fácil, não é?

  • Hogwarts, criado por J. K. Rowling

Um castelo mágico, com quadros e escadas mágicas, cercado por uma floresta e um lago mágicos, onde se ensina magia para bruxos que aprendem a lidar com plantas, animais e criaturas mágicas. Feitiços, corujas, quadribol, dragões, viagens de passeio a Hogsmeade, fantasmas camaradas… Realmente, não sei porque eu escolhi esse lugar! “Ah, mas você já foi lá onde os filmes foram gravados! Já viu Hogwarts de perto!” Pois é, ter tido a oportunidade de visitar o The Making of Harry Potter foi realmente uma das maiores alegrias da minha vida. A produção caprichada e o material disponível para os fãs verem é excepcional, porém não é a mesma coisa que viver (ou se imaginar vivendo) lá.

  • A Terra Média, criada por J. R. R. Tolkien

Aqui temos um caso em que é impossível escolher qual o lugar criado pelo autor que eu gostaria de conhecer primeiro. São universos dentro de universos, todos descritos com uma riqueza absurda de detalhes – para muitos, fascinantes; para outros, enfadonhos. Eu fico no meio termo: ao mesmo tempo em que acho desnecessário descrever a casa e o tempo de Tom Bombadil, fico fascinada com a descrição dedicada às outras cidades e povos, como o Condado e Rohan. A jornada no livro é bem mais longa do que a dos filmes, e a narrativa nos traz a sensação de realmente caminhar pela terra selvagem: o humor dos personagens muda conforme o cansaço, o clima e a fome, os caminhos tornam-se mais tortuosos e perigosos com o avanço da Comitiva do Anel para seu destino inevitável. Então, mesmo que fosse possível visitar todos os cantos da Nova Zelândia onde os longas de Peter Jackson foram gravados, a Terra Média ainda seria um dos meus destinos impossíveis que eu mais gostaria de visitar.

Bônus: Torre de Salazar, Terra do Vento, criado por Licia Troisi

Poucas pessoas que conheço já ouviram falar da trilogia As Crônicas do Mundo Emerso, mas a história da jovem Nihal e sua saga para descobrir seu passado e definir o futuro de todos me cativou à primeira vista. Lembro de ter me impressionado com a descrição de Salazar – a cidade-torre onde a garota crescera. Numa terra desértica, uma enorme torre ascende e concentra em seu interior toda uma cidade, onde diferentes níveis significam diferentes classes (apesar de haver certo equilíbrio social). O clima caótico e familiar impregnam os moradores, e essa é uma marca importante na personalidade de Nihal. Para quem já está acostumado a mapas mais complexos de países fictícios, o desenho do Mundo Emerso pode parecer um tanto simples (e é mesmo), porém essa foi apenas a primeira parte: a autora italiana já expandiu o universo em outras sagas sobre o continente e continua a explorá-lo em outras trilogias (só li as duas primeiras, Crônicas e Guerras).

Menção honrosa: Bairro do Limoeiro, criado por Maurício de Sousa.


A Turma da Mônica está há gerações alegrando e divertindo a criançada (a primeira tira em jornal saiu no ano de 1959!), então a memória afetiva com esse bairro animadíssimo fala mais alto. Quem não gostaria de ter como vizinhos a Mônica, a Magali, o Cascão e o Cebolinha? Isso sem falar nos outros ambientes criados por Maurício de Sousa – que inclusive faz um cemitério e a Idade da Pedra parecerem divertidos. Eu, com certeza, queria poder brincar com essa galerinha!

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.