Viajar é ótimo, mas dá para pular a parte do avião?


Planejar todos os detalhes da viagem, para mim, é um divertimento. Arrumar a mala, confesso, não acho tão legal assim, mas não é o fim do mundo. Agora, se tem uma coisa que eu não curto é… o avião. Nem é medo nem nada – estou ciente de que ao atravessar a rua, mesmo com sinal aberto para os pedestres, pode ser bem mais perigoso. Só não sou fã mesmo de todo o processo, que inclui sair várias horas antes de casa, esperar que não tenha trânsito, fazer check-in, despachar mala, passar pelo raio-X, começar tudo de novo para a conexão, fila da imigração. Esperar, esperar, esperar… Só de pensar, já estou cansada.

Veja bem, não tem ninguém aqui reclamando, não: viajar é ótimo, a gente quer é mais! E este aqui está longe de ser um post “classe média sofre” – se o lanche for bom, ok, se for barrinha de cereal e cream cracker, fazer o quê? Se o valor da passagem foi barato, nem reclamo: a gente compensa num café bonitinho quando chegar ao destino final.

O que me incomoda é mais o estresse – já mencionei que sou ansiosa? – que antecede a parte mais legal: chegar, efetivamente, a um lugar novo. Ainda não passei pelo pesadelo de perder o voo, mas é cada corrida que a gente dá para pegar conexão… Também já paguei uma multa alta por ter chegado ao balcão da companhia aérea depois do check-in encerrado. Resultado: o valor para embarcar a mala foi mais alto que a própria passagem (low cost), o que me deixou bem irritada. Sem falar que, com isso, acabei embarcando, sem poder, um produto “proibido”: um pote de creme de cabelo (novinho!) maior que o permitido numa bagagem de mão que a funcionária jogou no lixo sem dó nem piedade. Raiva é pouco.

Outro perrengue de que tenho pavor é ficar sem a mala ou ter a bagagem furtada ou danificada. Para facilitar a vida, decidi viajar mais leve e não me arrependo. Já passei um mês de um lado para outro apenas com bagagem de mão e não me arrependo. Na última viagem, a trabalho, passei três dias fora e fui apenas com uma bolsa pequena e uma a tiracolo: as pessoas me olhavam como se fosse uma alienígena e ficavam procurando a tal mala gigante que eu deveria estar carregando. Só porque não têm rodinhas, não quer dizer que minhas tralhas não mereçam respeito, galera! E não há nada como a sensação de passar reto pela esteira e sair logo do aeroporto 🙂

Em viagens internacionais, costumo preferir o trajeto de e para aeroportos via transporte público, porque não vamos perder a oportunidade de economizar, certo? Acontece que isso só torna o ir e vir ainda mais demorado. Banheiro de avião? Detesto e evito enquanto posso! O ruim é quando o passageiro ao lado não faz o mesmo…

Confesso que prefiro sempre que possível optar pelo deslocamento de trem ou ônibus, se não for um trajeto demasiado longo. O que eu gosto é da praticidade, de a estação ficar num ponto central da cidade, de poder chegar e pedir um bilhete para o próximo ônibus. Durmo tranquilamente à noite e, durante o dia, gosto de ir curtindo a paisagem ouvindo música.

Já que eu falei na vista, para ser bem sincera: reconhecer do alto aquela paisagem ou monumento que você sempre viu nas fotos ou aquele desenho que você estudou tanto no mapa pela primeira vez é inesquecível. E eu não canso de ser clichê quando volto para o Rio pelo Santos Dumont nem enjoo daquela beleza toda que faz a gente esquecer por uns segundos quantos problemas essa cidade tem: minha alma canta, que nem a do Tom Jobim.

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About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas